APRESENTAÇÃO DO MESTRE, ESSE DESCONHECIDO...
Este é o espaço do Mestre. Chamam-no, por vezes, equivocadamente, de professor – como se todos os professores fossem, necessariamente, Mestres...
E o que fazem professores? Não parece tão óbvio dizer que "eles ensinam, ué!" – até porque, isso muitas vezes, simplesmente, não acontece.
Muitos dos que dizem que ensinam, não podem garantir que os seres do outro lado aprendem... Há algo de errado nisso...
Por outro lado, quem pode garantir que ensina mesmo? É possível garantir isso?
Creio que todos têm, em alguma medida, algo de professor. Há, por certo, algo que as pessoas indistintamente crêem saber a ponto de poder ensinar... e quando assim o fazem, fazem com autoridade "eu sei do que estou falando" - ou, para citar frase famosa dos textos de Roberto DaMatta, "vocês sabem com quem estão falando?", justificando seja pelos estudos, seja pela vida sofrida (e tantos adoram postarem-se como mártires, sofredores, injustiçados...), sua “autoridade” para ensinar algo. Mas qual desses que se dispõem a ensinar algo são, de fato, Mestres? Seriam os ensinadores de procedimentos, Mestres? Ainda que os ensinem bem? E, diabos, o que é ensinar bem?
Busca-se aqui falar de certa ética. De um porquê de um trabalho – que não se limita às salas-de-aula nem aos diplomas distribuídos às largas.
Há nessa coisa de “Mestre” emancipação do ser humano. E é em nome desse princípio que existe este espaço.
Sejam bem-vindos!
Tantas palavras, tantos lugares
Essa palavra, “mestre”, pode nos trazer à mente tantas coisas... Aquele que encaminha, aquele que ensina lições na escola e na vida, aquele ainda que de tanto saber recebeu reconhecimento por notório conhecimento ou notória sabedoria. Uma palavra, bem forte, é verdade, que remete a tantas outras, a tantos que se honraram e dignaram-se com seu título, “mestres”.
De qual destes mestres aqui falaremos? – seria a justificada e ansiosa pergunta de minhas nobres visitas. “Todos”, de certo modo – seria a resposta.
Ensinar, formar, dignificar, promover humanidade, ascender ao amor pela vida... tudo métier do verdadeiro Mestre.
Há, por certo, algo de filósofo nesse mestre da humanidade (algo deveras poderoso!): uma conexão com tudo, com todos, com a usina de produção de diferença que é a vida.
Aqui começamos.
O porquê das injustiças do mundo ou por que as coisas são assim como são
“Este é um mundo estranho e mau”. Esta é uma frase comum, assim como inúmeras variáveis dela. Em todas, aceita-se como natural essa suposta “maldade” do ser humano, geralmente tratado como “O Homem”. Vejamos: o Homem é mau, o Homem é um ser egoísta que só pensa em si enquanto tantos são os que passam fome, os que sofrem violência, os que sofrem maus tratos, os que, em síntese, sofrem. Esse “Homem”, esquisito modo de nos referirmos aos seres humanos – homens e mulheres, portanto – é, efetivamente, um estranho. Quando assim nos referimos à humanidade – “Homem” – dificilmente conseguimos nos enxergar como parte dessa coletividade, desse “Homem”. O mau é sempre o outro, representado genericamente pelo “Homem”, ou, para uma visão mais politicamente correta, o “ser humano”. Não faz diferença. Não que não reconheçamos que eventualmente erramos, nada disso! Apenas não podemos ou não conseguimos nos considerar como parte integrante da desgraça que assola o mundo.
Essa é uma das coisas que é preciso compreender. Não que seja necessário cultivar certa “culpa” pelos pecados humanos (o que fazer com a culpa se precisamos tanto de ações?), mas reconhecer em que medida podemos estar ajudando a reproduzir as desgraças do mundo e em que medida agimos contra elas.
A história da estupidez humana confunde-se, evidentemente, com a própria história da humanidade, razão pela qual deveríamos desconfiar de que em alguma medida podemos ter algo a ver com isso e, mais importante, insisto: em que medida.
No entanto, quando alguém se propõe a falar algo sobre esse assunto, a estupidez humana, geralmente foge por evasivas como, por exemplo “esse é assunto por demais complexo” complementando essa lógica com a assertiva “dada sua complexidade, é aceitável propor a discussão de pequenos tópicos”. Talvez isso tenha relação com a visão corrente que temos da própria ciência: não como algo pleno, que busca a compreensão do cosmo, como nos antigos filósofos pré-socráticos, mas como algo absurdamente fragmentado, de modo que compreender a humanidade, passa por interpretações sociológicas, psicológicas, políticas, econômicas, jornalísticas, literárias, biológicas, neurológicas et desgraçadamente cetera. A ciência é, desse modo, e não por acaso, como veremos, uma testemunha da própria covardia que rege o mundo e que é reeditada permanentemente por certo modelo de educação.
É sobre isso o assunto deste diário de anotações – não necessariamente diárias: o doente sistema social que rege o mundo e os humanos doentes que o constroem: uma questão do tipo “o ovo ou a galinha”.
Curtíssima e raramente contada história da estupidez humana: do selvagem ainda tão existente ao além humano do porvir
Não é muito difícil imaginar os primeiros humanóides, há alguns milhares de anos: seres brutos em essência, de inteligência nada refinada e dotados de absoluto desejo de sobrevivência a qualquer custo. A primeira e a única lei até então conhecida pelos semi-macacos era a Lei do fisicamente mais forte. E por não ser entre todos os bichos, o fisicamente mais forte, o ser humano foi forçado a descobrir seus, digamos, dons intrínsecos, inteligência e perspicácia; assim a força poderia ser expressada e efetivada por músculos, garras, dentes e algo mais. Desse modo, em primeiro momento, os mais fortes atacavam os mais fracos, roubando-lhes comida, território, abrigo. Em segundo momento, rapidamente os mais fracos descobriam que unidos poderiam combater em superioridade de condições esses brutamontes. E mesmo os brutamontes humanos puderam perceber (provavelmente logo depois de serem atacados) que apoiados por um bando tornavam-se ainda mais fortes. Surge nesse momento, de modo inato (pode-se dizer), a segunda lei ou a Lei propriamente dita: a Lei que impõe a necessidade de leis, mínimas leis, para possibilitar alguma ordem na convivência entre os ainda tão macacos humanos. Mas a idéia racional da necessidade do respeito pela lei passou a ser, a partir daí, seriamente considerada: Lei ou barbárie, as únicas opções possíveis para os ainda tão selvagens humanos. A lei rudimentar dizia sobre pressupostos mínimos: os líderes (os mais fortes ou espertos – preferencialmente ambos) mandavam e os demais obedeciam. Essa obediência à hierarquia era condição necessária para a vida social. Embora apenas bem mais tarde esses princípios tenham sido transformados em teoria (desde os pré-socráticos, até seu reconhecimento pleno no esplendor da sociedade burguesa, por meio de Maquiavel que dizia da necessidade de todos abrirem mão de parte de sua liberdade em obediência ao soberano, condição fundamental para o lucro da burguesia em ascensão), é evidente que o princípio já valia desde os primórdios humanos. Os primeiros grupos humanos certamente não tinham em seus líderes senão selvagens que reconheciam a necessidade de um mínimo de ordem. A evolução das leis, a tolerância pela diferença, o respeito e a necessidade de cuidar de todas as pessoas pertencentes ao grupo, e finalmente a intolerância contra o despotismo, só surgiram do enfrentamento que os humanos fizeram e ainda fazem contra a estupidez selvagem da estruturação da sociedade, criando leis cada vez mais humanas, visando garantir que a Lei organizasse a selvageria animal do ser humano. O enfraquecimento ou abolição das leis significaria, nessa medida, o retorno à barbárie.
Nessa medida vieram vários teóricos dos quais é importante destacar Kant e Freud.
Kant enunciou como condição para a humanização o afastamento do que é selvagem, o reino da liberdade absoluta, a natureza. Somente sob o fardo pesado das leis o humano estaria distante do que é selvagem e bruto. Assim sendo, quanto maior o fardo, maior a humanização. Freud, corroborou essa noção ao descrever seu Complexo de Édipo. O bebezinho, ainda selvagem expressão humana, só abandonaria sua postura esquizóide de vida (na qual ele é o centro do mundo) ao reconhecer a existência do outro, a mãe, seu objeto de prazer (o alimento, o abrigo). Mas para obter o prazer, reconheceria o bebezinho que a mãe pertence ao pai, isto é, o prazer só é possível sob a presença da Lei. Se assim não fosse, não haveria sociedade, pois todos desejariam, como o selvagem, realizar sua liberdade, esbarrando evidentemente na liberdade do próximo, o que, sem a presença da Lei (simbolizada pela figura do Pai), incorreria necessariamente no conflito, na disputa, na guerra, na destruição.
A Lei despótica testemunha assim a imaturidade de tantos bilhões de irmãos.
Este é o espaço do Mestre. Chamam-no, por vezes, equivocadamente, de professor – como se todos os professores fossem, necessariamente, Mestres...
E o que fazem professores? Não parece tão óbvio dizer que "eles ensinam, ué!" – até porque, isso muitas vezes, simplesmente, não acontece.
Muitos dos que dizem que ensinam, não podem garantir que os seres do outro lado aprendem... Há algo de errado nisso...
Por outro lado, quem pode garantir que ensina mesmo? É possível garantir isso?
Creio que todos têm, em alguma medida, algo de professor. Há, por certo, algo que as pessoas indistintamente crêem saber a ponto de poder ensinar... e quando assim o fazem, fazem com autoridade "eu sei do que estou falando" - ou, para citar frase famosa dos textos de Roberto DaMatta, "vocês sabem com quem estão falando?", justificando seja pelos estudos, seja pela vida sofrida (e tantos adoram postarem-se como mártires, sofredores, injustiçados...), sua “autoridade” para ensinar algo. Mas qual desses que se dispõem a ensinar algo são, de fato, Mestres? Seriam os ensinadores de procedimentos, Mestres? Ainda que os ensinem bem? E, diabos, o que é ensinar bem?
Busca-se aqui falar de certa ética. De um porquê de um trabalho – que não se limita às salas-de-aula nem aos diplomas distribuídos às largas.
Há nessa coisa de “Mestre” emancipação do ser humano. E é em nome desse princípio que existe este espaço.
Sejam bem-vindos!
Tantas palavras, tantos lugares
Essa palavra, “mestre”, pode nos trazer à mente tantas coisas... Aquele que encaminha, aquele que ensina lições na escola e na vida, aquele ainda que de tanto saber recebeu reconhecimento por notório conhecimento ou notória sabedoria. Uma palavra, bem forte, é verdade, que remete a tantas outras, a tantos que se honraram e dignaram-se com seu título, “mestres”.
De qual destes mestres aqui falaremos? – seria a justificada e ansiosa pergunta de minhas nobres visitas. “Todos”, de certo modo – seria a resposta.
Ensinar, formar, dignificar, promover humanidade, ascender ao amor pela vida... tudo métier do verdadeiro Mestre.
Há, por certo, algo de filósofo nesse mestre da humanidade (algo deveras poderoso!): uma conexão com tudo, com todos, com a usina de produção de diferença que é a vida.
Aqui começamos.
O porquê das injustiças do mundo ou por que as coisas são assim como são
“Este é um mundo estranho e mau”. Esta é uma frase comum, assim como inúmeras variáveis dela. Em todas, aceita-se como natural essa suposta “maldade” do ser humano, geralmente tratado como “O Homem”. Vejamos: o Homem é mau, o Homem é um ser egoísta que só pensa em si enquanto tantos são os que passam fome, os que sofrem violência, os que sofrem maus tratos, os que, em síntese, sofrem. Esse “Homem”, esquisito modo de nos referirmos aos seres humanos – homens e mulheres, portanto – é, efetivamente, um estranho. Quando assim nos referimos à humanidade – “Homem” – dificilmente conseguimos nos enxergar como parte dessa coletividade, desse “Homem”. O mau é sempre o outro, representado genericamente pelo “Homem”, ou, para uma visão mais politicamente correta, o “ser humano”. Não faz diferença. Não que não reconheçamos que eventualmente erramos, nada disso! Apenas não podemos ou não conseguimos nos considerar como parte integrante da desgraça que assola o mundo.
Essa é uma das coisas que é preciso compreender. Não que seja necessário cultivar certa “culpa” pelos pecados humanos (o que fazer com a culpa se precisamos tanto de ações?), mas reconhecer em que medida podemos estar ajudando a reproduzir as desgraças do mundo e em que medida agimos contra elas.
A história da estupidez humana confunde-se, evidentemente, com a própria história da humanidade, razão pela qual deveríamos desconfiar de que em alguma medida podemos ter algo a ver com isso e, mais importante, insisto: em que medida.
No entanto, quando alguém se propõe a falar algo sobre esse assunto, a estupidez humana, geralmente foge por evasivas como, por exemplo “esse é assunto por demais complexo” complementando essa lógica com a assertiva “dada sua complexidade, é aceitável propor a discussão de pequenos tópicos”. Talvez isso tenha relação com a visão corrente que temos da própria ciência: não como algo pleno, que busca a compreensão do cosmo, como nos antigos filósofos pré-socráticos, mas como algo absurdamente fragmentado, de modo que compreender a humanidade, passa por interpretações sociológicas, psicológicas, políticas, econômicas, jornalísticas, literárias, biológicas, neurológicas et desgraçadamente cetera. A ciência é, desse modo, e não por acaso, como veremos, uma testemunha da própria covardia que rege o mundo e que é reeditada permanentemente por certo modelo de educação.
É sobre isso o assunto deste diário de anotações – não necessariamente diárias: o doente sistema social que rege o mundo e os humanos doentes que o constroem: uma questão do tipo “o ovo ou a galinha”.
Curtíssima e raramente contada história da estupidez humana: do selvagem ainda tão existente ao além humano do porvir
Não é muito difícil imaginar os primeiros humanóides, há alguns milhares de anos: seres brutos em essência, de inteligência nada refinada e dotados de absoluto desejo de sobrevivência a qualquer custo. A primeira e a única lei até então conhecida pelos semi-macacos era a Lei do fisicamente mais forte. E por não ser entre todos os bichos, o fisicamente mais forte, o ser humano foi forçado a descobrir seus, digamos, dons intrínsecos, inteligência e perspicácia; assim a força poderia ser expressada e efetivada por músculos, garras, dentes e algo mais. Desse modo, em primeiro momento, os mais fortes atacavam os mais fracos, roubando-lhes comida, território, abrigo. Em segundo momento, rapidamente os mais fracos descobriam que unidos poderiam combater em superioridade de condições esses brutamontes. E mesmo os brutamontes humanos puderam perceber (provavelmente logo depois de serem atacados) que apoiados por um bando tornavam-se ainda mais fortes. Surge nesse momento, de modo inato (pode-se dizer), a segunda lei ou a Lei propriamente dita: a Lei que impõe a necessidade de leis, mínimas leis, para possibilitar alguma ordem na convivência entre os ainda tão macacos humanos. Mas a idéia racional da necessidade do respeito pela lei passou a ser, a partir daí, seriamente considerada: Lei ou barbárie, as únicas opções possíveis para os ainda tão selvagens humanos. A lei rudimentar dizia sobre pressupostos mínimos: os líderes (os mais fortes ou espertos – preferencialmente ambos) mandavam e os demais obedeciam. Essa obediência à hierarquia era condição necessária para a vida social. Embora apenas bem mais tarde esses princípios tenham sido transformados em teoria (desde os pré-socráticos, até seu reconhecimento pleno no esplendor da sociedade burguesa, por meio de Maquiavel que dizia da necessidade de todos abrirem mão de parte de sua liberdade em obediência ao soberano, condição fundamental para o lucro da burguesia em ascensão), é evidente que o princípio já valia desde os primórdios humanos. Os primeiros grupos humanos certamente não tinham em seus líderes senão selvagens que reconheciam a necessidade de um mínimo de ordem. A evolução das leis, a tolerância pela diferença, o respeito e a necessidade de cuidar de todas as pessoas pertencentes ao grupo, e finalmente a intolerância contra o despotismo, só surgiram do enfrentamento que os humanos fizeram e ainda fazem contra a estupidez selvagem da estruturação da sociedade, criando leis cada vez mais humanas, visando garantir que a Lei organizasse a selvageria animal do ser humano. O enfraquecimento ou abolição das leis significaria, nessa medida, o retorno à barbárie.
Nessa medida vieram vários teóricos dos quais é importante destacar Kant e Freud.
Kant enunciou como condição para a humanização o afastamento do que é selvagem, o reino da liberdade absoluta, a natureza. Somente sob o fardo pesado das leis o humano estaria distante do que é selvagem e bruto. Assim sendo, quanto maior o fardo, maior a humanização. Freud, corroborou essa noção ao descrever seu Complexo de Édipo. O bebezinho, ainda selvagem expressão humana, só abandonaria sua postura esquizóide de vida (na qual ele é o centro do mundo) ao reconhecer a existência do outro, a mãe, seu objeto de prazer (o alimento, o abrigo). Mas para obter o prazer, reconheceria o bebezinho que a mãe pertence ao pai, isto é, o prazer só é possível sob a presença da Lei. Se assim não fosse, não haveria sociedade, pois todos desejariam, como o selvagem, realizar sua liberdade, esbarrando evidentemente na liberdade do próximo, o que, sem a presença da Lei (simbolizada pela figura do Pai), incorreria necessariamente no conflito, na disputa, na guerra, na destruição.
A Lei despótica testemunha assim a imaturidade de tantos bilhões de irmãos.
